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O PERFIL DE UM BOM COORDENADOR DE CURSO

Ionaldo Vieira Carvalho*


Um dos problemas que vem se acentuando na gestão das organizações empresariais é a deficiência de mão-de-obra qualificada. E esta questão, pelas suas especificidades, parece estar ainda mais presente nas organizações educacionais.

No âmbito das instituições de ensino superior, o déficit de mão-de-obra qualificada se manifesta nos quadros docentes, nos cargos de direção acadêmica e, principalmente, nas coordenações de curso.

Por se tratar de gestão de curso superior, exige-se de um coordenador, além das habilidades convencionais de um gestor, ampla experiência acadêmica de nível superior, visão da qualidade do egresso para o mercado de trabalho, conhecimento da legislação e da funcionalidade da educação superior no país e sensibilidade quanto à essência de um projeto pedagógico de curso. Em termos de alcance de resultados satisfatórios de avaliação do MEC, ele deve gerenciar todo processo de construção do CPC e do ENADE.  Com tais exigências, fica evidente, portanto, a dificuldade que se tem em encontrar profissionais com este perfil.

Sem a pretensão de querer, aqui, esgotar as virtudes que identificam este tipo de profissional, de um modo geral, seguem as principais características de um bom coordenador de curso:

Ser bom professor é atributo indispensável para o gerenciamento racional de um quadro docente, de modo a obter o melhor resultado possível em termos de qualidade para o curso que gerencia. O gestor deve possuir ascendência e exercer liderança sobre os docentes do seu colegiado de curso, fazendo com que estes sejam assíduos às reuniões e executem as diretrizes da política de ensino, em particular da instituição a que pertence;

Ter amplo conhecimento da estrutura da matriz curricular e do Projeto Pedagógico do curso, sendo, portanto, capaz de compreender os aspectos metodológicos do curso, das disciplinas instrumentais básicas, das profissionalizantes e das complementares na formação do perfil do profissional que pretende formar. Aliado a tais conhecimentos, é preciso ter a consciência de que, com qualidade, é essencial que os conteúdos das disciplinas cheguem até os alunos;

É fundamental a interação com alunos e com os docentes, criando um clima de motivação e otimismo no seu curso. Estar atento diante da existência de distorções administrativas que, direta ou indiretamente, possam afetar de maneira negativa a qualidade do curso que gerencia, assumindo, assim, a condição de holístico diante de cenários desta natureza, comunicando o fato ao diretor geral, ou a quem é de direito, para a decisão quanto à solução que o problema requer;

Além de tais características, é atributo do bom coordenador de curso ser um político habilidoso e responsável. Desta forma, o uso do bom senso e da maturidade se constitui numa espécie de ferramenta importante para a solução de conflitos acadêmicos e administrativos, não permitindo que tais problemas cheguem ao coordenador acadêmico ou ao diretor geral para a sua competente solução, fato que se configuraria no descumprimento de suas funções e das competências claramente delegadas pela instituição;

O bom coordenador de curso deve ter a consciência de que o curso de graduação que gerencia não é unidade isolada da instituição de ensino superior. Ao contrário, é parte integrante de um todo. E, assim, as decisões que, direta ou indiretamente, têm implicações com o incremento de despesas, devem, necessariamente, levar em conta o princípio da qualidade, da produtividade e da sustentabilidade econômica e financeira da instituição. Para isso, precisa ser um entusiasta do curso que gerencia, não medindo esforços não só em zelar pela sua qualidade, como pela constante busca de novos alunos, ou seja, acima de tudo, deve ser um bom vendedor indireto do seu curso;

É importante ter a convicção de que o curso que gerencia não deve ser desenvolvido, apenas, nos moldes tradicionais do puro academicismo da sala de aula. Ao contrário desta postura, deve ter a consciência de que o pragmatismo do mundo real deve ser um fundamento importante a fazer parte da sala de aula. Em função deste princípio, o coordenador de curso precisa procurar executar, com racionalidade, as diretrizes da instituição quanto ao desenvolvimento das atividades relacionadas às visitas técnicas dos docentes com seus alunos a organizações empresariais, bem como do recrutamento de novos docentes com base na experiência acadêmica e profissional. Neste sentido, o bom coordenador de curso não usa de paternalismo para o recrutamento de seus docentes. Ao contrário, procura priorizar a meritocracia, visando à essência da qualidade do seu curso;

O bom coordenador de curso tem controle sobre seus possíveis desvios de personalidade. Assim, sabe trabalhar em grupo e executa, com sabedoria, o princípio da solidariedade, defendendo o curso que gerencia, sem deixar de respeitar os benefícios dos demais cursos, na crença de que o mais importante é o interesse maior da instituição;

Com o uso do bom senso, esse profissional sabe extrair as virtudes dos docentes do seu curso através da alocação de disciplinas que estes, efetivamente, dominam e sabem ministrar. Com tal percepção, o número de disciplinas e a carga horária semestral de cada docente devem ser compatíveis, tanto com a real disponibilidade do seu tempo, quanto da capacidade técnica de execução. Ou seja, os docentes devem ser capazes de agregar o máximo benefício possível à qualidade do curso, e, consequentemente, à realização profissional dos alunos;

O bom coordenador de curso é capaz de, ao longo de cada semestre letivo, acompanhar e avaliar a ação dos seus docentes, com relação à execução da oferta do curso, com a consciência do nível de qualidade com que os programas das disciplinas estão sendo executados;

Enfim, o verdadeiro coordenador de curso, além de ter bom relacionamento com os demais coordenadores de curso e com a comunidade acadêmica em geral, está sempre sintonizado com o sistema de avaliação do MEC, em relação ao Projeto Pedagógico do seu curso. Deve ser humilde em suas atitudes, junto aos colegas de trabalho e estar, sempre, aberto ao diálogo e disposto a fazer renúncia, principalmente, quando este ato se reveste em benefício para a instituição e sua comunidade acadêmica. Um coordenador de curso despreparado para o exercício dessa função é a negação de tudo o que aqui foi escrito.


* O autor é docente aposentado da Universidade Federal de Sergipe e diretor geral da FANESE


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