Uma visita ao Museu da Gente Sergipana pode ir além do contato com a produção artística do estado e se transformar em um importante momento de aprendizado. A trajetória de Arthur Bispo do Rosário, natural de Japaratuba e diagnosticado com esquizofrenia, levou estudantes de Enfermagem a refletirem, durante a visita realizada no último dia 04, que por trás de cada diagnóstico existem histórias, experiências e dimensões humanas que também fazem parte do cuidado em Saúde Mental.
A atividade foi realizada na disciplina de Ensino Clínico em Saúde Mental, ministrada pela professora Mônica Matos. O objetivo da docente foi que os alunos conhecessem a história de Arthur Bispo no museu e também contemplassem sua arte, observando a riqueza de detalhes presente em suas obras e compreendendo esse olhar a partir da vivência de um paciente esquizofrênico.
“A proposta foi também que eles observassem como era a trajetória da saúde mental durante a nossa história, nós conversamos sobre isso durante a disciplina. Antigamente, a loucura era vista como algo ruim, as pessoas eram encarceradas em hospícios, em hospitais psiquiátricos, e passavam às vezes toda a sua vida lá dentro. Então, o meu intuito foi que eles observassem a história de um ser tão singular e extraordinário, que passou a vida inteira dentro de um hospital, mas que continuou com a sua riqueza artística”, destacou.
A professora ainda afirma que se trata de um adoecimento como qualquer outro, embora não seja visível no aspecto fisiológico, mesmo que a mente faça parte do corpo humano. Ela explica que busca sempre compartilhar sua experiência prática com os alunos, mostrando que cada paciente é singular e necessita de acolhimento, cuidado e suporte, especialmente no convívio social.
“Atualmente, o cuidado com o paciente com transtorno mental ele é em sociedade e nós sabemos que na correria do dia a dia, acaba que os ser humano está realmente com esse adoecimento mais acentuado na sociedade. Então, o aluno de Enfermagem hoje, que vai ser o futuro profissional enfermeiro, ele tem que ter esse olhar diferenciado, humanizado, conhecer as psicopatologias, conhecer a clínica, saber fazer um bom exame mental para trazer o melhor cuidado para esse usuário que precisa tanto desse suporte”, enfatizou.
Para a estudante Beatriz Santos, do oitavo período, a atividade no museu contribuiu para ampliar sua compreensão sobre saúde mental. Ao conhecer a história de Arthur Bispo do Rosário, ela percebeu o quanto ele sofreu por não ser compreendido na época em que viveu, o que a fez refletir sobre como, no passado, muitas pessoas com transtornos mentais eram tratadas com pouca humanidade.
“Saber como as pessoas com transtornos mentais eram tratadas no passado ajuda a compreender os avanços conquistados ao longo do tempo e a importância da luta por um cuidado mais humano e respeitoso. Essas experiências ampliam nosso olhar sobre a prática profissional e valorizam o aprendizado proporcionado pela faculdade e pelos professores, despertando maior interesse pelo tema e motivando os estudantes a contribuir para melhorias no cuidado com os pacientes no futuro”, afirmou.
A estudante Débora Ferreira, do sexto período, percebeu que, ao conhecer mais sobre a história, a cultura e o modo de vida da população sergipana, ficou claro que as experiências, as tradições e o sentimento de pertencimento também influenciam o bem-estar das pessoas.
“Me fez entender que a Saúde Mental está muito ligada a forma como cada pessoa vive e se relaciona em comunidade. E atividades externas são muito importantes porque nos ajudam a enxergar a saúde de forma mais ampla, conectada com a realidade das pessoas, contribuindo para formar profissionais mais conscientes e preparados para cuidar de pessoas de forma integral”, pontuou.
A experiência no museu reforçou para os estudantes que compreender a saúde mental exige olhar para além do diagnóstico. Ao conhecer a trajetória de Arthur Bispo do Rosário, os futuros enfermeiros puderam refletir sobre a importância de um cuidado mais humano, atento às histórias e singularidades de cada paciente.
Amanda Custódio sob supervisão de Larissa Barros