A professora da Fanese, Dra. Laíze Benevides, foi convidada para integrar o corpo de avaliadores da Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), um dos mais relevantes periódicos científicos da área jurídica no país. A docente atuará na avaliação do dossiê “Geografias jurídicas críticas: repensando os territórios do direito e suas fronteiras”, temática em que desenvolve pesquisas e possui produção acadêmica consolidada, fatores que contribuíram para o reconhecimento e para o convite recebido.
Para Laíze Benevides, integrar o corpo de avaliadores de uma publicação vinculada a uma instituição de referência nacional representa uma oportunidade de ampliar diálogos acadêmicos e estabelecer novas conexões científicas.
“Recebi a notícia com grande satisfação, sobretudo porque o tema me interessa muito, pois desde o mestrado tenho aproximado minha pesquisa dos saberes geográficos, tendo sido aluna do grande Carlos Walter Porto-Gonçalves e me aprofundado nos estudos sobre espaço e território de Milton Santos. Dessa forma, a participação neste dossiê específico é, pra mim, além do reconhecimento, uma reconexão com esses temas”, enfatizou.
A docente possui uma trajetória acadêmica voltada às relações entre Direito, território e direitos humanos. Advogada popular, é graduada em Direito pela UFS, especialista em Criminologia, Direito Penal e Processo Penal pela UCAM, mestra em Direito Constitucional pela UFF e doutora pela UFRJ. Em sua produção científica, a categoria “território”, inspirada na obra do geógrafo Milton Santos, ocupa posição central. O tema foi um dos eixos de sua pesquisa de mestrado, posteriormente publicada em livro pela Editora Lumen Juris, em 2016, com o título Ocupa Borel e Militarização da Vida: violações de direitos humanos em uma favela militarmente ocupada.
Segundo a professora, compreender a realidade brasileira exige uma análise jurídica que dialogue com os processos históricos, econômicos e sociais que marcaram a formação do país, aproximando o Direito das demais áreas das ciências humanas e sociais.
“Pensar o Brasil é pensar a desigualdade social inerente à dependência econômica imposta ao sul global na economia mundial. Em um país colonizado em sistema de plantation e que teve sua economia baseada na escravidão, a análise jurídica descolada dessa realidade é, no mínimo, insuficiente. E os debates jurídicos contemporâneos têm transbordado as fronteiras acadêmicas do mundo do direito e se aproximado de discussões, técnicas e ferramentas das ciências sociais e humanas”, destacou.
A trajetória da professora Laíze reforça a importância da pesquisa e da produção acadêmica na formação jurídica, servindo de inspiração para que os estudantes se engajem em projetos de pesquisa, extensão e grupos de estudo. Seu exemplo demonstra como a construção de uma trajetória acadêmica sólida pode contribuir para a formação de juristas mais críticos, qualificados e comprometidos com a sociedade.
Amanda Custódio sob supervisão de Larissa Barros